pt en

Carta de boas-vindas

Neste “Congresso Nacional de Medicina Tropical, I Congresso Lusófono de Doenças Transmitidas por Vetores” pretende-se contribuir para o reforço da medicina tropical, nomeadamente das doenças transmitidas por vetores como tema de desenvolvimento científico e área de ação profissional e de esclarecimento da opinião pública.

O I Congresso da Medicina Tropical ocorreu em Lisboa de 24 a 29 de abril de 1952, data em que se comemorava o cinquentenário da nossa Instituição, na altura denominada “Instituto de Medicina Tropical e do Hospital do Ultramar”.

A medicina tropical tem vindo a assumir cada vez mais uma dimensão global. As patologias referidas como tropicais e restritas durante muitos anos às regiões entre os Trópicos têm vindo a conquistar cada vez mais espaço geográfico em áreas anteriormente consideradas isentas destes flagelos.

As doenças transmitidas por vetores (VBD) estão ligadas aos vetores invertebrados hematófagos tais como mosquitos, carraças ou flebotomíneos na transmissão de agentes patogénicos de um hospedeiro a outro. Estas infeções comumente fixadas em regiões tropicais e subtropicais estão em expansão estimando-se até 17% da taxa global das doenças infeciosas. A mais mortal de todas, a malária, foi estimada como sendo a causa de 584.000 mortes em 2013, a doença com um crescimento mais rápido é o dengue, estimando-se que possam ocorrer cerca de 390 milhões de infeções pelo vírus com potenciais 96 milhões de casos patentes. Recentemente observaram-se epidemias de dengue em Cabo Verde, Angola, Moçambique e Portugal (ilha da Madeira). Confirmou-se o ressurgimento da malária na Grécia. Discute-se o risco da emergência da febre-amarela na Europa. A infeção pelo vírus chikungunya cobre uma área cada vez mais extensa do globo disseminando-se atualmente pelo continente americano e ilhas. De facto, a Europa e os EUA debatem-se com surtos epidémicos de infeções por agentes patogénicos considerados tropicais.

A abordagem dos mecanismos básicos pelos quais os artrópodes vetores transmitem os agentes patogénicos, a biologia dos vetores, os desafios associados com o desenvolvimento de novos tratamentos, os testes de diagnóstico e vacinas, o impacto das VBD na Saúde humana e veterinária serão tratados durante este Congresso.

Pela sua missão o Instituto organiza este III Congresso Nacional de Medicina Tropical com o objetivo de apresentar e criar lugar de discussão ao que de melhor se faz em Portugal, nos países da Lusofonia e em outros centros científicos internacionais nossos parceiros.

Lenea Campino
Presidente da Comissão Científica